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Mostrando postagens de Agosto, 2011

Outono

Ela nasceu assim, como nascem as folhas em uma grande árvore. Imperceptível. Mas sempre presente. Ligada ao que lhe mantinha viva. Convive lado a lado com você em todas as estações do ano. Companheira. Amiga. Aguenta a tempestade e desfruta a calmaria. Observa, silenciosa, os frutos que você planta. Muitas vezes calada, mas presente. Você se dá conta da sua presença. Isso é óbvio. Mas não nota a importância tua para com ela. Segue vivendo, esperando que o teu fruto floresça. Mas ele não aflora. Enfim vem o outono e todas as tuas folhas caem, deixando-te sozinho. Apenas ela permanece. Imperceptível. Mas sempre presente. Então você a vê. Repara-lhe a simetria, as formas. Percebe como ela te tem em seu íntimo. Como depende de tua presença. Como vive por tua causa. Entretanto você não pode retê-la. Não quer fazer isso. Precisa libertá-la. Soltá-la ao vento para que seja livre. Faz parte do círculo natural. Todas as folhas um dia precisam cair. Até que o fruto desejado tome forma. Não será diferente com esta. …

A Crônica da Ilha

Ao ver o comentário de uma amiga no último post, onde ela o chama de crônica, decidi escrever uma intencionalmente. Mas aí me vem a pergunta: sobre o que falar?      Geralmente, as crônicas refletem sobre coisas do cotidiano, de problemas e dilemas. Pensei em ser mais altruísta e discorrer sobre um problema que aflige outra pessoa. Parar de falar sobre mim, mim, mim.      Cogitei perguntar ao vizinho o que lhe afligia, o que lhe tirava o sono. Porém, certamente, ele me mandaria procurar o que fazer ao invés de tomar conta da vida alheia. É crônica, não revista de fofoca.
     Isso foi só uma hipótese, mas me fez refletir. Guardamos muitas coisas para nós. Aguentamos o fardo sozinho. Seria por falta de um ouvinte que fosse? Ou não sabemos procurar?
     É só um pensamento vago que fabrico solitário, lavado a louça, e o torno público agora. Todavia, creio que exista um temor de compartilhar os sentimentos. Falo por mim, entretanto sei que é um mal comum transformar-se nessa ilha emocio…

Capturando Sentimentos

Estou acordado altas horas tentando capturar sentimentos.      Porém, o que estou sentindo agora?      Ansiedade. Insônia. Frustração... Tristeza?      Bom, certamente não é felicidade.      Vem o sentimento Carinho querendo se manifestar, só que este é rechaçado por outrem em meus pensamentos.      O que mais?      Sinto meu pé coçar... Isto é sentimento?      Não, não. Isto é sensação.      Mas qual a diferença entre um e outro?      Já sei:      Sensação a gente pensa estar sentindo e Sentimento a gente sente sem pensar.      Em qual dos dois estou agora eu não sei.      Só ouço o ponteiro do relógio e vejo a luz da lanterna que ilumina o papel rabiscado.      O silêncio traz a sensação do sono...
     E o sentimento da paz.