(La reproduction interdite, 1937) Réné Magritte Ele era um cara bem quisto por uns e não odiado por outros. Sabia agradar aos próximos e também aos distantes. Tinha sempre a palavra certa. Até que um dia, nada do que ele falava arrancava a aprovação de um Outro. Aquilo, a princípio, lhe deu raiva. Mas de si mesmo. Conforme o tempo passava, o sentimento real foi dando as caras. Medo. Mas de que?, pensou ele. Não era de si próprio e ele sabia disso. Era medo do Outro. Isso o fez sentir-se louco, paranoico e por fim, covarde. Covarde... Era essa a verdade que ele vinha escondendo a vida inteira. Ele tinha medo de ouvir um “não”, ou até mesmo um “sim”. Tinha medo de um olhar duro, quem sabe até d...