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Mostrando postagens com o rótulo Prosas

Brindo com Palavras

Imagem da internet Curioso como um monte de desenhos num pedaço de papel pode dizer tanta coisa. Curioso como os sons vão ganhando forma ao passarmos os olhos pelas linhas e uma voz ganha vida em nossa cabeça. A nossa própria voz, a da pessoa que escreveu ou até uma que nunca escutamos. É ouvir com os olhos. Admirando quem sabem brincar com as palavras, até me esqueci que às vezes me arrisco nessa aventura. Fazemos pessoas sãs ouvirem vozes no silêncio. Quem é mais louco nessa história, eu desconheço. Só sei que deixamos nosso recado. Ou tentamos. E a isso eu brindo! Mozer .

Livro: De Pernas Para o Ar - minhas memórias com Garrincha

Fonte da imagem Ao ler o título deste livro, assim que bati o olho no nome “Garrincha”, o primeiro pensamento que veio até mim foi: “é um livro sobre futebol? Mas eu não entendo nada de futebol!”. Realmente o esporte mais famoso do mundo serve como pano de fundo para esta obra, afinal foi através do futebol que um nome se fez mito.              Porém, Gerson Suares, nos apresenta, por meio de várias crônicas, um Mané Garrincha diferente, aquele de fora dos gramados: a pessoa, o menino, o homem. E o autor tem um ponto forte a seu favor: como filho da cantora Elza Soares e enteado do craque, ele teve o privilegio de conviver com Mané e de testemunhar diversos momentos de sua vida, desde os mais engraçados até os mais comoventes.              O livro é dividido em três partes e em cada uma delas um lado de Garrincha é mostrado. Na primeira, entramos nos bastidores do futebol, com ...

"Mesmo fundamento singular do ser humano" *

O mais difícil é não pensar...       A mente prega-nos peças, misturando passado, presente e futuro; realidades e fantasias.       Em um momento, um clarão de certeza sobre quem somos e, um instante depois, essa certeza torna-se dúvida.       Há uma fé abalada, em nós mesmos e na humanidade de modo geral. Logo em seguida um fiozinho de esperança desponta, puxado até arrebentar. Para ser reencontrado mais a frente, talvez.       A morosidade corporal contrasta com a rapidez do pensamento. A gana é frustrada pelas restrições físicas. O corpo é um limitador para uma mente incontrolável.       Nossa imaginação é caprichosa, impaciente e mimada. Pula do início direto para o fim, como alguém que não consegue esperar o desfecho e parte logo para as páginas finais de um romance. Antes de escrever, já imagina as críticas. Antes de compor a letra, já idealiza a fama. Ante...

Reflexo do Tempo

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Confrontação

(La reproduction interdite, 1937) Réné Magritte            Ele era um cara bem quisto por uns e não odiado por outros.      Sabia agradar aos próximos e também aos distantes.      Tinha sempre a palavra certa.      Até que um dia, nada do que ele falava arrancava a aprovação de um Outro.      Aquilo, a princípio, lhe deu raiva. Mas de si mesmo. Conforme o tempo passava, o sentimento real foi dando as caras.      Medo.     Mas de que?, pensou ele. Não era de si próprio e ele sabia disso.      Era medo do Outro.      Isso o fez sentir-se louco, paranoico e por fim, covarde.      Covarde...      Era essa a verdade que ele vinha escondendo a vida inteira. Ele tinha medo de ouvir um “não”, ou até mesmo um “sim”. Tinha medo de um olhar duro, quem sabe até d...

Reset

           Seria tão bom se existisse um botão desses, que reiniciasse o nosso dia, o nosso ano ou, quem sabe, a nossa própria vida, num simples apertar...      Bati com o carro. Tive o maior prejuízo e...      Reset!      Aí eu sairia de carro novamente, me estressaria novamente e, mais cedo ou mais tarde, colidiriam comigo! Novamente...      Ou então, fui mal na prova. Não estudei o bastante...      Reset!      Ufa! Seriam mais horas de estudo, mais ansiedade antes da prova, mais nervosismo. E, talvez, outra nota ruim...      Ah, mas mesmo assim esse botão seria o máximo!      Aquele amigo que me decepcionou, que desejo apagar da minha memória, que gostaria de nunca ter conhecido. Aí sim...      Reset!      Depois faria novos amigos. Me envolve...

Capturando Sentimentos

     Estou acordado altas horas tentando capturar sentimentos.      Porém, o que estou sentindo agora?      Ansiedade. Insônia. Frustração... Tristeza?      Bom, certamente não é felicidade.      Vem o sentimento Carinho querendo se manifestar, só que este é rechaçado por outrem em meus pensamentos.      O que mais?      Sinto meu pé coçar... Isto é sentimento?      Não, não. Isto é sensação.      Mas qual a diferença entre um e outro?      Já sei:      Sensação a gente pensa estar sentindo e Sentimento a gente sente sem pensar.      Em qual dos dois estou agora eu não sei.      Só ouço o ponteiro do relógio e vejo a luz da lanterna que ilumina o papel rabiscado.      O silêncio traz a sensação do sono...  ...

Aeromoça

            Ultimamente, ele passou a olhar mais para o céu.      A cada avião que surgia, seu coração acelerava, ansiando por voar ao seu encontro.      Será que ela está lá? , pensava.      Imaginava-a em seu belo uniforme. O sorriso lindo a lhe iluminar a face.      Isso o alegrava e entristecia.      Ela alçara voo.      Sem paradeiro.      Ele permaneceu aqui.      Entretanto, sentia-se motivado.      A cada viagem, ela acumulava uma experiência nova na bagagem. Por isso, enquanto sua amada desbravava os céus, ele, em terra firme, também seguiria em frente.      Conquistaria suas próprias experiências, venceria suas próprias lutas. Assim, teria o que compartilhar ao seu regresso.      Mas enquanto este dia não chegava, se...

(Não pensei num título)

            Neste momento estou deixando as palavras falarem por mim. Deixei-me sentar diante de um caderno velho e esperar que as sentenças viessem até mim por acaso. Esta espera já foi suficiente para preencher algumas linhas.      Mas é extremamente difícil. O pensamento é mais rápido que minha mão e as palavras vão se perdendo. Luto duplamente: primeiro para segurá-las e, segundo, para estabelecer algum nexo entre elas.      Recuso-me a modificar qualquer coisa. Isso seria uma trapaça a esta experiência. Vamos ver o que sai. Enquanto escrevo isto, minha mente está mais além, já pensando no que pensaria quem lesse esse relato desconexo. Outro ponto falho.      Será que escrever é igual a meditar? Você precisa se concentrar. Mas não dá para fazer tal coisa idealizando louros futuros. Deve ser por isso que muitas empreitadas mínguam.      Pausa.   ...

A Sombra do Passado

A gora eu compreendo a razão daquele telefonema de madrugada, que não me acordara, pois tenho insônia desde o incidente da primavera passada. Ainda é dia lá fora, mas sempre é noite nas paredes do meu quarto, escuras e nuas, a não ser por uma janela que a todo o momento permanece fechada. A mancha de sangue ainda está no tapete. Hoje ela faz um ano, mas perdeu seu significado há três dias. No dia do Telefonema: - Alô? – disse eu, nem surpreso, nem expectante. - Não peço desculpas por ter lhe acordado, pois sei que você não dorme, e isto é por minha causa – disse uma voz familiar que eu não ouvia desde... a última primavera. Era o Ricardo. Mas como era possível? Ele estava morto! Voltei no tempo, ao dia em que tudo aconteceu: Eu estava voltando para casa depois de mais um dia desinteressante na escola. Notei que a porta da frente não estava trancada. Subi para o quarto, abri a porta e vi, caído sobre o tapete, o corpo inerte de meu irmão, pulsos cortados e a faca ao lado. Não me ass...

Id.

Ana diz que não porque tem namorado E Fernanda vai se casar A Regina tem uma doença terminal O cachorro da Aline morreu Carolina não gosta de caras muito altos Daniela não gosta de caras baixos Já Renata não gosta de caras Não importa o que ela diz nem qual o nome dela A única certeza é que sempre quem tenta descobrir é um Zé. Angelus.

O Fragor Reflexivo

A  Hora finalmente chegou.              O rapaz alto usa um terno preto. Parado bem à sua frente, o homem louro, com sua gravata branca reluzente. O alto ergue a mão e o louro imita-o. O homem louro está frio , percebe o outro ao tocarem as palmas.             No silêncio, que inunda o lugar e transborda para os outros cômodos, o rapaz contempla o homem. Já vira aquele rosto muitas vezes. Mas, agora, algo está diferente. É o rosto de um condenado.             Condenado pela lei do seu semelhante.             Condenado pela lei da Natureza.             Tudo sai como planejado. Eles se movem deliberadamente num sincronismo exacerbado. O rapaz alto tira um objeto rutilante do bolso e o coloca contra...