E m uma cidadezinha pequena, vivia um poeta adorado pelos moradores. Seus versos tocavam profundamente quem os lia. Escrevia sobre sentimentos comuns a todos, porém de forma única. Uma sucessão de palavras que fluíam leves como o vento. Era, enfim, um verdadeiro artista das palavras, autor de maravilhas frasais. Esse poeta, conhecido como Jean, O Arquiteto da Alma, publicava suas poesias todos os domingos, na única praça da cidade. Escrevia à mão, com caligrafia impecável, numa tela grande sobre um cavalete, e deixava junto ao chafariz. Fazia-o sempre antes do nascer do sol, quando a cidade ainda dormia, e partia em seguida. Mesmo reconhecido por todos, ele nunca conversava sobre seus poemas. Escrevia-os para serem lidos e interpretados de forma pessoal. Não se achava no direito de impor um significado exato. Contudo, a inveja era um mal que alcançava até os lugares mais remotos, e não foi diferente com aquela cidade. Certo cronista do j...