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Mostrando postagens com o rótulo Contos

Doce Vingança

U m Coração ocioso Ansioso por sentir Resolveu estragar tudo Apaixonou-se pela melhor amiga Mas não precisava abrir-se Todo ele já era o próprio sentimento Necessitava apenas fazer-se notado Então se expôs O amor, porém, revelou-se unilateral Nuances da vida Por ele nunca compreendidas Entretanto perseverou Vermelho ardente Dividindo espaço com o verde esperançoso Contudo a vilã denominada Indiferença Nas entrelinhas da amizade escondia-se Fria Distante Inabalável Por fim feriu o pobre Coração insistente Uma incerteza instaurou-se O vermelho amoroso Com a ira rubra misturou-se Algo havia mudado “ Vingarei-me de ti Fazendo-te a mais feliz deste mundo Estarei lá quando precisares de mim Segurarei tua mão nas horas de dor Teu coração caprichoso Enfim me desejará E eu me darei a ti Carregando a semente por tuas mãos plantada Então verás Amo-te Porém não como queres Não como precisas”   O sentimento não morrera Modificara-se Contentou-se com o que tinha E conquistou outro alguém A corre...

A Vida Completa

D esde pequeno, Alberto era indolente.       Tudo que começava não levava a cabo e, caso o fizesse, era a muito custo. Na escola particular, bancada com sacrifício por seus pais, tirava notas medíocres e passava de ano raspando. Depois de terminar o segundo grau, ingressou em duas faculdades diferentes, mas desistiu no meio do caminho. Ficou algum tempo sem trabalhar, e sua vida se resumia a festas.      Quando por fim foi intimado pelo pai a arranjar um emprego, foi como se o estivessem enviando para a guerra.      – Merda de vida! – queixava-se frequentemente.      Gastava todo o dinheiro que ganhava e pedia mais para mãe. Esta dava mais algum, sempre às escondidas do pai do rapaz. E mesmo assim ele reclamava...      – Como eu queria ter muito dinheiro! – desejava ardentemente – Ser rico e ter tudo o que eu quisesse. Sem precisar me matar de trabalhar...      Ce...

O Poeta Que Desaprendeu Escrever

E m uma cidadezinha pequena, vivia um poeta adorado pelos moradores. Seus versos tocavam profundamente quem os lia. Escrevia sobre sentimentos comuns a todos, porém de forma única. Uma sucessão de palavras que fluíam leves como o vento. Era, enfim, um verdadeiro artista das palavras, autor de maravilhas frasais.      Esse poeta, conhecido como Jean, O Arquiteto da Alma, publicava suas poesias todos os domingos, na única praça da cidade. Escrevia à mão, com caligrafia impecável, numa tela grande sobre um cavalete, e deixava junto ao chafariz. Fazia-o sempre antes do nascer do sol, quando a cidade ainda dormia, e partia em seguida. Mesmo reconhecido por todos, ele nunca conversava sobre seus poemas. Escrevia-os para serem lidos e interpretados de forma pessoal. Não se achava no direito de impor um significado exato.      Contudo, a inveja era um mal que alcançava até os lugares mais remotos, e não foi diferente com aquela cidade. Certo cronista do j...