Ela veio ao mundo desnuda de maldades
Trazia no olhar brilho intenso, o qual iluminava o que vislumbrava
Acreditava no amor e num tal “felizes para sempre”
Até que um dia resolveu aventurar-se por outros corações
Apaixonada, entregou-se, mergulhando de cabeça
Permitiu-se envolver mais e mais
Até não saber onde ela própria começava e o outro findava
Estava voando, leve como a brisa em seus cabelos
Entretanto a realidade atingiu-a em cheio
As promessas mostraram-se falsas
As palavras vazias
Enfim ela caiu
Levantou-se, tempos depois, contudo estava mudada
Raízes prendiam-na ao chão
Espinhos projetavam-se de seu corpo
Permanecia bela, delicada, porém armada
***
Ele chegou inocente
Crente na sinceridade dos sentimentos
Disposto a amar, confiante na resposta
Esperançoso em seu íntimo
Passou por caminhos que o levaram às alturas
Planejou sonhos nos papeis do pensamento
Ergueu projetos de uma vida
Duas, na verdade
Todavia, a resposta não veio
Os papeis perderam-se e os projetos ruíram
A esperança foi a última a permanecer
E por fim também morreu
Prendeu-se nas lembranças que nunca houve
Perpétuo, ficou vagando solitário
Fechou-se em si mesmo, mostrando força no aroma exalado
Escondendo o odor da decepção
***
Ela encantava a todos com sua graça
Arranhava, descartava e partia
Ele proferia lisonjas antes sinceras
Usava, provava e partia
Ela repetia as mesmas promessas falsas que ouvira
Ele destruía os mesmos projetos que um dia criara
Ela estava autossuficiente de relacionamentos
Ele, satisfeito com o prazer das conquistas
Assim caminhavam o Cravo e a Rosa
Paralelos em seus cursos
Dividindo a mesma amargura
Esbanjando a mesma beleza
Ele, outrora inocente, conhecera uma rosa e tivera seu fim
Ela, sensível, iludiu-se com um cravo e acabou crivada de espinhos
Quem surgiu primeiro não se sabe
Apenas estão ali, lado a lado
***
Encontraram-se os dois finalmente,
Compartilharam suas histórias, misturaram seus perfumes
Estranharam-se nas semelhanças
Amaram-se nas diferenças
O Cravo
A Rosa
Debaixo de uma sacada...
Isso soa muito familiar...
Angelus.

É possível dizer que a dor em qualquer um dos seus níveis nos transforma de algum modo. Dificilmente podemos dizer que continuamos a ser os somos mesmos após uma tragédia ou decepção. Por outro lado, todos temos nossas facetas, algumas tentamos esconder e abaixar seu volume para que outras ganhem voz e apareçam com toda sua força prontas para encarar o mundo de peito aberto. E nesse ponto, penso, seria uma transformação/mudança ou apenas um amadurecimento do que estava ali?
ResponderExcluirPrefiro pensar desse modo até porque, assim como no caso do Cravo e da Rosa, algumas facetas nada mais são do que lados da mesma moeda. Por isso, não dá pra saber quem surgiu primeiro....ou dá?
Dificil saber quem veio primeiro, amigo. Algumas facetas nossas vão surgindo ao longo da vida, por necessidade, por amadurecimento. Enfim estamos em constante processo de mudanças. As circunstâncias nos levam a isso. Às vezes para o bem, outras para o mal.
ExcluirAbração.
Sim o fim foi familiar, mas eu não conhecia a história de vida dos dois... Gostei!
ResponderExcluirbjks doces e bom domingo
É verdade, Marly. Acho que essa foi a biografia não autorizada deles! hehe
ExcluirBom domingo pra você também. Beijo.
Olá!Bom dia!
ResponderExcluirAngelus...
Tudo bem?
...vou partir do final familiar, também! Uma dúvida que eu tenho, afinal na descrição da "biografia não autorizada" (risos) não tem nenhuma referência:Por que eles estariam debaixo de uma sacada? Estariam eles plantados em um jardim sob a sacada? Seria uma referência à famosa "cena do balcão" de Romeu & Julieta? Se for a primeira: eles sempre estiveram lado a lado, "semelhantes",só faltavam "amar"nas diferenças.
Se for a segunda: vc sabe como vai terminar...
Obrigado pelo carinho da visita!
ótimo domingo!
Abraços
Oi Felisberto.
ExcluirEu rezo para que seja a primeira opção. A segunda é mais romântica e tal, mas o final é muito dramático. Para duas pessoas que já se decepcionaram tanto na vida, é mais que merecido um final mais feliz.
Abraço!
Muito bom, Angelus. Ficamos cegos perante a beleza da felicidade, nossa fraqueza. Mas nos transformamos quando encontramos a decepção. O cravo e rosa. Gostei muito da história XD
ResponderExcluirGrande abraço
Concordo, Mateus.
ExcluirDiante de uma decepção sempre temos a opção de reagir, nos transformarmos para superar essa dificuldade. Isso também é sinal de amadurecimento da pessoa.
Abração.
Angellus Perfeito texto. Ameii!
ResponderExcluirÉ impressionante como de uma certa forma a 'dor' as vezes nos trás progressos..Rs
Vc é realmente meu ídolo!
Beijão querido!
Que isso, querida, não é pra tanto... rs
ExcluirTenho que te agradecer de novo, você sabe pelo quê. Te admiro. Um final feliz pra todos nós!
Beijão. Fique com Deus.
Oi Angelus
ResponderExcluirQue bom tê-lo de volta seu sumido kkkkkk. Lindo poema. Como vc conseguiu transformar uma simples cantiga de ninar num poema tão complexo? Vc voltou com a corda toda einh meu amigo?!
Bjão. Fique com Deus!
Experiência própria e compartilhada por outra amiga, Luciana! rsrs A vida é complexa.
ExcluirObrigado, querida, fica com Deus também. Beijo!
Olá, Angelus.
ResponderExcluirExcelente poema; todos nós sofremos decepções e frustrações na vida, enquanto não aprendemos que o mundo é aquilo que é, e não o que gostaríamos que fosse.
O quanto isso irá nos afetar permanentemente é uma escolha apenas nossa.
Abraço.
Tem toda a razão Jacques. O sofrimento tem fim quando escolhemos parar de sofrer. Aceitar as coisas e tentar tirar o melhor de cada uma delas é fundamental para isso.
ExcluirGrande abraço.
Muito bom! Pessoas que muitas vezes são pisadas pelas circunstâncias, ou por outras pessoas, desenvolvem defesas que na verdade as prejudica. Maravilhoso quando alguém consegue remover estas defesas, e pode amar novamente. Adorei o poema.
ResponderExcluirPois é, Marina. Muitas vezes nos fechamos tentando nos proteger dos outros que acabamos nos afastando do mundo ou ferindo a nós mesmos.
ExcluirSuperar essas barreiras é ótimo para reanimar a vida.
Beijo.
E como soa familiar meu amigo. Que analogia fantástica percebo nesses versos, fora a bela lição que ele nos propõe. Sem demagogia nenhuma achei que esse foi um dos melhores versos que já li aqui, parabéns.
ResponderExcluirAbraços
Muito bom ouvir isso sobre algo que fazemos com tanto carinho.
ExcluirObrigado, amigo.
Abração e bom fim de semana.
Na nossa vida sempre vamos encontrar o cravo e a rosa, a alegria e a decepção sempre vai caminhar com a gente. Angelus lá no blog Lucimar Virtual o blog que faz parte da Estrela da Manhã tem post novo se você quiser dá uma passadinha lá pra conferir é só clicar no link abaixo, fique com Deus beijos.
ResponderExcluirhttp://www.lucimarvirtual.blogspot.com.br/2012/12/como-falar-que-o-papai-noel-nao-existe.html