Ela nasceu assim, como nascem as folhas em uma grande árvore. Imperceptível. Mas sempre presente. Ligada ao que lhe mantinha viva. Convive lado a lado com você em todas as estações do ano. Companheira. Amiga. Aguenta a tempestade e desfruta a calmaria. Observa, silenciosa, os frutos que você planta. Muitas vezes calada, mas presente. Você se dá conta da sua presença. Isso é óbvio. Mas não nota a importância tua para com ela. Segue vivendo, esperando que o teu fruto floresça. Mas ele não aflora. Enfim vem o outono e todas as tuas folhas caem, deixando-te sozinho. Apenas ela permanece. Imperceptível. Mas sempre presente. Então você a vê. Repara-lhe a simetria, as formas. Percebe como ela te tem em seu íntimo. Como depende de tua presença. Como vive por tua causa. Entretanto você não pode retê-la. Não quer fazer isso. Precisa libertá-la. Soltá-la ao vento para que seja livre. Faz parte do círculo natural. Todas as folhas um dia precisam cair. Até que o fruto desejado tome forma. Não será ...